Morre Marcelly Malta Lisboa, referência na luta LGBT+ do país, aos 75 anos
**Marcelly Malta Lisboa: Uma Luz na Luta pelos Direitos LGBTQIA+ Transcendeu aos 75 Anos**

Nos deixou no sábado (04/07), aos 75 anos — não há informações da causa da morte. A comunidade LGBTQIA+ do Brasil e do mundo está de luto pela partida de Marcelly Malta Lisboa, uma das vozes mais poderosas e respeitadas na luta pelos direitos da população trans. Aos 75 anos, essa ativista gaúcha não só deixou um legado indelével na busca pela igualdade, como também transformou a realidade muitas vezes invisibilizada de pessoas trans com seu trabalho incansável pela defesa dos direitos humanos e da dignidade de todos. Sua vida, rica em experiências e desafios, nos lembra que existir é uma forma de resistência e que cada vida importa profundamente.
Marcelly foi uma figura inspiradora que abraçou a causa da igualdade com uma paixão contagiante. Sua defesa ardente pela cidadania da população trans ultrapassou frentes, incluindo a saúde, educação e direitos civis. Ao longo dos anos, ela se tornou um símbolo de resiliência, mostrando a todos nós que a luta por reconhecimento e respeito é um caminho longo, mas necessário. Marcelly nos deixou uma herança preciosa: a lembrança de que, apesar das adversidades, é possível conquistar espaços e direitos por meio da solidariedade, amor e coragem.
Marcelly Malta Lisboa foi uma ativista pioneira e uma das maiores referências na defesa dos direitos da população de travestis e transexuais no Brasil. Nascida em 1951, ela fundou a organização Igualdade RS e foi vice-presidente da Rede Trans Brasil, deixando um legado histórico de resistência e conquistas para a comunidade LGBTQIA+. Em sua trajetória, destacou-se por: Ser pioneira na justiça: Em 2011, obteve autorização judicial para retificar seu nome no registro civil, abrindo caminho para que outras pessoas trans conquistassem o mesmo direito. Defesa da saúde: Atuou por décadas na prevenção e tratamento de ISTs/Aids, tendo trabalhado ao lado de ONGs de referência como o GAPA. Combate à violência e formulação de políticas: Ocupou espaços institucionais, como a presidência do Conselho Municipal dos Direitos Humanos de Porto Alegre, e deu aulas sobre direitos humanos para policiais. Resiliência histórica: Sobreviveu à intensa violência sofrida pela comunidade durante a Ditadura Militar, tornando-se um símbolo de longevidade e superação para as travestis no país.
O impacto de Marcelly em sua comunidade e além foi profundo e perene. Sua presença ativa em diversos movimentos e organizações sociais não apenas trouxe visibilidade aos problemas enfrentados pela população trans, mas também serviu como um farol de esperança para tantos que se sentiram marginalizados e invisíveis. Ela construiu pontes entre as gerações, promovendo diálogos interseccionais e convocando todos a se unirem na luta contra a opressão. A luta de Marcelly é um lembrete poderoso de que, quando levantamos nossas vozes, não estamos apenas pedindo por direitos, mas também afirmando nossas existências.
A partida de Marcelly Malta é um golpe profundo para a Rede Trans Brasil e para toda a história do movimento LGBTQIA+ no país. Marcelly não foi apenas uma liderança; ela foi uma força da natureza, uma pioneira e uma defensora incansável da dignidade, da cidadania e da vida da população travesti e transexual brasileira”, lamenta trecho da nota emitida pela Rede Trans Brasil
A partida de Marcelly nos convoca a refletir sobre a importância da memória coletiva na luta pelos direitos LGBTQIA+. Ao celebrarmos sua vida, precisamos reconhecer o papel que cada um de nós desempenha nessa jornada. O legado de Marcelly nos ensina que a luta não é apenas de alguns, mas de todos nós, e que a transformação social depende de nossa disposição em arregaçar as mangas e lutar, cada um à sua maneira. É vital que continuemos a promover a inclusão e a dignidade de todas as pessoas, especialmente daqueles que, historicamente, foram silenciados.
Neste momento de dor e reflexão, é crucial reforçar que a luta por direitos não se encerra com a perda de uma ativista; pelo contrário, ela deve se intensificar. A memória de Marcelly deve servir de combustível para que cada um de nós tome a frente nesta batalha inabalável pela valorização da vida trans. Precisamos continuar a construir espaços inclusivos, onde todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas. Precisamos gritar, com a força que Marcelly nos ensinou, que nossas vidas importam e que temos o direito de existir plenamente.
Que a luz de Marcelly Malta Lisboa continue a iluminar nosso caminho, lembrando-nos de que a luta por justiça e igualdade é uma jornada que deve ser trilhada com amor e empatia. Que possamos honrar sua memória indo além das palavras, engajando-nos ativamente na defesa dos direitos de todos, sempre com a certeza de que cada vida é uma história que merece ser contada. Marcelly, sua existência foi um ato de resistência e amor, e seguiremos adiante, mantendo viva a chama da sua luta. Estamos aqui, vivas, inteiras e corajosas, sempre em frente.

