Bancada trans: o sonho coletivo das travestis na política
Bancada Trans: O Sonho Coletivo das Travestis na Política
A luta pela representação e dignidade das travestis e pessoas trans no cenário político brasileiro ganha novos horizontes com a consolidação da chamada “bancada trans”. Em uma movimentação que evidencia a urgência de inclusão e diversidade, lideranças de norte a sul do país vêm à tona para afirmar que a presença trans nos espaços de poder não deve se limitar apenas às pautas identitárias ou restritas ao público LGBTQIA+.
O movimento é amplo. A proposta é expandir o diálogo e levar para o centro das discussões macroestruturais as experiências de famílias atípicas, pessoas com deficiência (PCD), a preservação ambiental, a educação de base e as realidades profundas do interior do país, como o sertão nordestino e a Amazônia. Trata-se de uma transformação real nas estruturas que alicerçam a nossa sociedade, provando que quem está nas margens traz soluções para o país inteiro.
🏛️ A Disputa no Congresso Nacional: O Salto Federal
Para a Câmara dos Deputados em Brasília, as articulações reúnem tanto nomes de peso nacional que buscam consolidar seus mandatos quanto potentes lideranças locais que decidiram nacionalizar suas vozes.
Erika Hilton (PSOL-SP)

Líder histórica e uma das parlamentares mais expressivas do país, Erika busca a reeleição no estado de São Paulo. Consolidada como um dos maiores fenômenos de votos do campo progressista, sua atuação combina o combate rigoroso às desigualdades com uma forte capacidade de articulação em Brasília, sendo peça fundamental na sustentação do projeto de uma bancada trans federal.
Duda Salabert (PDT-MG)

Com forte projeção nacional e destaque nas áreas ambiental e educacional, a parlamentar mineira foca sua campanha na reeleição por Minas Gerais. Professora de formação, Duda traz para o debate nacional a urgência da sustentabilidade aliada ao desenvolvimento social, provando a pluralidade técnica das candidaturas trans.
Thabatta Pimenta (PSOL-RN)

Vinda do interior do Rio Grande do Norte, Thabatta traz consigo a força da vivência das famílias atípicas. Irmã e cuidadora de uma pessoa com paralisia cerebral, sua plataforma política é um convite à inclusão real, unindo a representação de travestis e pessoas trans à defesa intransigente dos direitos das pessoas com deficiência e das populações historicamente esquecidas nos debates tradicionais do Nordeste.
Benny Briolly (PSOL-RJ)

Expressiva e combativa liderança fluminense, Benny lançou oficialmente sua caminhada rumo ao Congresso Nacional. Com uma trajetória marcada pelo enfrentamento direto ao conservadorismo e pelo fortalecimento das comunidades periféricas do Rio de Janeiro, ela projeta em Brasília um polo de resistência e direitos humanos.
Juhlia Santos (PSOL-MG)

Com um histórico marcante de atuação no legislativo de Belo Horizonte, Juhlia Santos trabalha sua projeção política para postular uma vaga na Câmara Federal. Sua base sólida em Minas Gerais reforça o coro de que o estado precisa de representações plurais e conectadas com os movimentos de base e de cultura.
Linda Brasil (PSOL-SE)

Fez história como a primeira deputada estadual trans eleita em Sergipe. Agora, dá um salto estratégico fundamental ao planejar sua disputa rumo à Câmara dos Deputados. Linda leva na bagagem um balanço de forte atuação legislativa local, pautada na fiscalização pública, direitos humanos e na destinação de recursos para saúde e educação.
Álex Sousa (PSOL-AM)

Inaugurando um marco na Região Norte, Álex desponta como a primeira liderança trans não binária lançada no Amazonas com foco na disputa do Congresso Nacional. Sua voz é essencial para descentralizar o debate, unindo as pautas de gênero às complexidades ecológicas e sociais da realidade amazônica.
🏢 O Fortalecimento de Base: Assembleias Legislativas e Distrital
Na disputa pelas Assembleias Legislativas estaduais, o foco do movimento está em fincar raízes, ampliar as trincheiras regionais e garantir que as demandas locais sejam ouvidas de perto.
Robeyoncé Lima (PSOL-PE)

Advogada ativista e ex-codeputada em Pernambuco, Robeyoncé concentra suas articulações junto aos movimentos sociais de base e à advocacia popular. Sua trajetória de trazer o Direito como ferramenta de emancipação das populações negras e trans no Recife agora mira a ampliação do espaço progressista na Assembleia Legislativa pernambucana.
Atena Beauvoir (PSOL-RS)

Com forte atuação na capital gaúcha, Porto Alegre, a escritora e educadora direciona suas bases e seu trabalho de escrita e militância para a construção de uma candidatura sólida voltada à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, focando na cultura e na educação emancipatória.
Natasha Ferreira (PT-RS)

Jornalista de formação e com forte trânsito nas articulações comunitárias de Porto Alegre, Natasha atua de forma estratégica e integrada com a Federação partidária. Sua meta é conquistar uma cadeira no legislativo gaúcho para amplificar a fiscalização social e a comunicação voltada aos direitos das minorias.
Adriana Gerônimo (PSOL-CE)

Liderança de destaque na Comissão de Direitos Humanos de Fortaleza, Adriana foca sua força política na ampliação do espaço de esquerda e das pautas periféricas no legislativo cearense. Sua atuação é marcada pela defesa do direito à moradia, à cidade e pela proteção de defensores de direitos humanos.
O Voto como Ato de Resistência e Esperança
Adentrar o universo da política institucional para essas mulheres e pessoas não binárias ainda é um profundo ato de resistência. Em um país que muitas vezes empurra a população trans para a marginalidade, ocupar tribunas, propor leis e disputar orçamentos significa derrubar barreiras históricas.
A importância da “bancada trans” transcende as urnas: é um simbolismo vivo, um grito por dignidade que reafirma o direito à existência plena de cada cidadão. Apoiar e acompanhar essas iniciativas é garantir que o Brasil caminhos em direção a um futuro mais justo, onde a identidade de uma pessoa não seja um alvo, mas parte da riqueza democrática do país.

